Orgulho

Os temas da construção identitária das minorias, da diversidade e da vivência da alteridade atravessam as varias camadas desta obra. Bordados em cada boneco estão os xingamentos que desde pequena escuta a criança cuja identidade termina por construir-se como viado. Na primeira camada, se pode perceber como a construção identitária da homossexualidade, ainda que tenha por base a agressão, o ódio e a dor, pode terminar por ser positiva. A ressignificação dos xingamentos escutados durante toda uma vida pode permitir a construção de uma identidade positiva: um ursinho fofo e molinho, que representa ao mesmo tempo a companhia para muitas crianças na hora de dormir e os homens peludos e/ou cheios de carnes na cultura gay. Uma segunda camada de interpretação permite perceber a celebração da diversidade. Os ursinhos, embora cortados com o mesmo molde, bordados da mesma forma e utilizando os mesmos materiais, são todos diferentes entre si. Em uma terceira camada, os bonecos se apresentam organizados em seis cores diferentes, fazendo referencia às geometrias variáveis que fazem com que as pessoas, durante sua vida, se reunam em grupos diversos. A apreciação conjunta dos 30 ursos permita ver a formação da bandeira de seis cores, que se tornou o símbolo do ativismo gay. Se apresentam 24 insultos em portugués, comumente dirigidos às pessoas que são identificadas como homossexuais no Brasil, país de nascimento do autor e que tem o triste recorde de ser o que mais mata LGBTQIA+ no mundo.


Material: tecido de algodão cru, linha de costura, botões, linha de bordar, linho e acrilon.


A obra fez parte da mostra TAREA, inaugurada em julho de 2019 na Galeria Pasaje 17, em Buenos Aires, com curadoria de Chiachio & Giannone. O catálogo digital da exposição está disponível aqui.













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